segunda-feira, 26 de maio de 2014

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"Certa tarde eu estava apenas olhando para os galhos mais altos daquelas arvores quando comecei a reparar que os galhinhos mais altos e suas folhas eram dançarinos líricos felizes, contentes por estar lá em cima, e que todas aquela experiência estrondosa da árvore se balançando embaixo deles fazia com que cada passo, cada movimento, fosse uma dança necessária e gigantesca e comunal e misteriosa, de modo que só ficavam lá em cima no vazio, dançando o significado da árvore.
Percebi como as árvores pareciam humanas pela maneira como se curvavam e então se erguiam e então balançavam de um lado para o outro. Era uma visão maluca na minha mente, porém linda."

Do tempo ganhado

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sexta-feira, 16 de maio de 2014

Sobre ir...

"Vou porque preciso conhecer o mundo. Vou porque as fotografias não me satisfazem: preciso dos ares, dos arredores, dos autores. Mais do que a história de cada lugar, preciso conhecer quem narra o que é escrito. Conhecer as distâncias e fazer parte do dia-a-dia, ser vizinha de seu povo, me perder em suas ruas, tropeçar em suas pedras, provar da sua comida e falar sua língua.
É por isso que eu preciso ir embora. Porque partir é mais do que abandonar as origens, é se originar em outro canto e me reinventar todos os dias.
Vou porque o que tá lá fora me chama. Vou, nem que seja pra descobrir que meu lugar é aqui."

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Da urgência de amor

Ficamos perdidos no meio deste fogo cruzado, atingidos por informações. Parece que todos sabem mais do que nós, pobres de nós, que só queremos uma coisa nessa vida: ser amados. Podemos esperar por todo o resto: emprego, dinheiro, sucesso, mas não passaremos mais um dia sequer sozinhos. "Te adoro", dizemos sei lá pra quem, para quem tiver ouvidos e souber responder "eu também", que a gente está mais a fim de acreditar do que de selecionar. Urgência emocional. Pronto-socorro do amor. Atiramos para todos os lados e somos baleados por qualquer um. E o coração leva um monte de pontos por causa dessa tragédia: pressa.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Sobre a preguiça

"A nossa geração é acusada de ser preguiçosa devido as facilidades que temos a disposição. O que acha dessa afirmação?
Acho a preguiça uma coisa boa, é uma reação do nosso corpo a esse mundo que parece cheio de possibilidades. Quem tem preguiça desconfia que as coisas, no final, não valham tanto a pena quanto parecem valer. Essas pessoas geralmente estão certas. O nosso problema é viver entre a preguiça e a cobrança de que temos que ser cada vez mais bem sucedidos para mostrar para sei lá quem.
Hoje é difícil encontrar um ser humano satisfeito. A pessoa não é gorda, mas sente culpa por não fazer exercícios. Não é burra nem desempregada, mas sente culpa por não fazer MBA. Daí as pessoas, essas loucas do cu, acham que nosso problema é a preguiça, quando nosso real problema é a culpa."

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"E por aí?
A vida por aqui anda meio conto, nada de poesia.

Mas, pelo menos, não está crônica."