segunda-feira, 26 de maio de 2014

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"Certa tarde eu estava apenas olhando para os galhos mais altos daquelas arvores quando comecei a reparar que os galhinhos mais altos e suas folhas eram dançarinos líricos felizes, contentes por estar lá em cima, e que todas aquela experiência estrondosa da árvore se balançando embaixo deles fazia com que cada passo, cada movimento, fosse uma dança necessária e gigantesca e comunal e misteriosa, de modo que só ficavam lá em cima no vazio, dançando o significado da árvore.
Percebi como as árvores pareciam humanas pela maneira como se curvavam e então se erguiam e então balançavam de um lado para o outro. Era uma visão maluca na minha mente, porém linda."

Do tempo ganhado

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sexta-feira, 16 de maio de 2014

Sobre ir...

"Vou porque preciso conhecer o mundo. Vou porque as fotografias não me satisfazem: preciso dos ares, dos arredores, dos autores. Mais do que a história de cada lugar, preciso conhecer quem narra o que é escrito. Conhecer as distâncias e fazer parte do dia-a-dia, ser vizinha de seu povo, me perder em suas ruas, tropeçar em suas pedras, provar da sua comida e falar sua língua.
É por isso que eu preciso ir embora. Porque partir é mais do que abandonar as origens, é se originar em outro canto e me reinventar todos os dias.
Vou porque o que tá lá fora me chama. Vou, nem que seja pra descobrir que meu lugar é aqui."