quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Notas sobre a morte




Morrer que é difícil. Eu acho que é uma das coisas mais dolorosas e difíceis de uma vida : a morte, o morrer. E esse texto não é sobre a dor da perda. E sim sobre a complexidade de nos queixarmos sobre a vida quando o que fazemos de melhor é sobreviver. Acontece o que for e a gente insiste nessa mania incessante de permanecer vivo. Aguentamos os trancos, os barrancos, as feridas causadas por inúmeras metamorfoses . Chantageamos a vida dizendo não mais aguentar mas a gente vive, ORA BOLAS! E da forma mais precisa possível : com o coração em perfeito estado e todas as células se regenerando, iniciando, rompendo e finalizando ciclos.
Diz pra mim se isso é controlável, 
se é difícil... 
Difícil é morrer... Você sabe o que é morrer ? Esse texto não é sobre o que diz o misticismo e as crenças espirituais. É sobre a decisão de não mais suportar, sobre uma escolha difícil , sobre você não mais se queixar e continuar insistindo. Sobre você abrir mão de se reabrir tantas vezes ! ( talvez ter o controle de autorizar o IML a fazer isso , mas calma será pela última vez ). O que você tem por dentro, até então é o que te difere de todos,essa DIFERENÇA que te faz feliz e que te dói... Está ali , naquela pedra gelada para a autopsia , te tornando a mais comum das criaturas. É ... Morrer é difícil !



Sobrancelhas fechadas,
Cansaço, mal humor,
pressa.
O sonho está no mesmo vão onde se esconde a leveza.
Respiração pesada, sentido sem sentido.
Peças de xadrez.
Onde fica aquela inocência do:
" O que eu vou querer ser quando eu crescer?"
Ser
Crescer
Ser!
Quanto mais se cresce , mais se perde e menos se é.
A gente se expande e vão se agregando em nós retalhos desconhecidos. E esses estranhos vão nos consumindo tal qual vermes se alimentam de um corpo sem vida.
Você se perde, nao existe controle.
Existe "a coisa"
"A coisa" só se ressignifica ao "ser" novamente,
caso esta, se sujeite a se reduzir para que se caiba.
A luta constante é de se
Recortar
Retalhar
Partir
Moldar
Sangrar
Parir...
O ego te direciona a querer FINGIR QUE, SE FAZER DE, SE APRESENTAR COMO.
Se distanciar da sua originalidade e forma.
Te fazer acreditar que se reduzir à essência é se desfazer, se inferiorizar.
É preciso perceber que somos o que somos.
Da mesma forma que uma folha de coqueiro não finge ser uma folha de eucalipto; Da mesma forma que uma borboleta não precisa provar que é borboleta para ser reconhecida assim; Nós somos aquilo que viemos para ser.
Aquilo que chora por sentir fome, sorrir por uma nova descoberta (sem filtro ou vergonha).
Aquilo que sonha e não consegue racionalizar a palavra impossível.
Aquilo que não dorme porque ganhou um presente novo.
A gente só precisa de disposição e boa memória para se lembrar do que se é.
Abrir a porta, fechar, recuar e pegar o caminho de volta. <3